segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Aguinaldo Silva lamenta boatos, pede explicações e fala sobre Fina Estampa

“Fina Estampa será um novelão no estilo clássico e sem 
vergonha de ser aquilo que realmente é: uma novela”

Aguinaldo Silva tem o seu jeitinho de ser. Tem fama de ser reclamão e de mandar farpas sobre os mais diversos temas ou pessoas, alimentando polêmicas e costurando algumas inimizades, mas também de ser alegre e um bon vivant. É um estilo que primeiro alguns estranham, mas que todos depois compreendem. Consegue diariamente interagir com os leitores do seu site, responder a dezenas de entrevistas, ter vida pessoal e, juntando a tudo isso que já não é pouco, costurar o destino dos cerca de 55 personagens que compõem a sua nova menina dos olhos: “Fina Estampa”.

O novo carro-chefe da Globo, que estreia hoje substituindo “Insensato Coração”, ainda não disse a que veio, mas promete fazer justiça àquilo que é: uma verdadeira novela, com todos os clichês e demais características a que tem direito e que o público tanto adora. “Será uma novela mais solar, de verão e com um astral mais radioso”, conta Aguinaldo Silva. O autor da nova novela das nove da Globo realça também o fato de a sua trama principal, uma mulher que fica viúva e se torna numa espécie de faz-tudo para educar e cuidar dos filhos, ter sido inspirada na vida real, mas desvaloriza as polêmicas que têm colocado os bastidores do folhetim em polvorosa.

O autor Aguinaldo Silva
Foto: TV Globo/Alex Carvalho

Aguinaldo Silva desmente, assim, desentendimentos com Walcyr Carrasco, autor de “Morde e Assopra”, mas não esquece as coicidências que existem na trama principal da sua novela com o drama vivido pelo personagem de Cássia Kiss Magro às 19h na Globo, realçando o fato de a história do filho que rejeita a mãe ter sido pensada bem antes de aparecer no enredo criado pelo seu colega de profissão.

O autor garante, por outro lado, que nunca esteve a ponto de abandonar o “barco” devido à perda ou ameaça de saída de alguns atores para outras produções da casa, negando nota publicada pelo colunista Flávio Ricco, e lamenta os boatos que surgiram sobre uma possível rusga com o diretor de núcleo Wolf Maya, com quem faz parceria há anos.

Em entrevista exclusiva concedida a Bruno Cardoso, do NaTelinha, Aguinaldo Silva diz ainda que quer uma Lília Cabral, a protagonista de “Fina Estampa”, num papel mais popular e menos sofisticado, fala de homossexualidade, do elenco para quem escreve, onde pontuam nomes como Dalton Vigh, Christiane Torloni, Carolina Dieckman, Caio Castro, das perspectivas que tem relativamente à novela e da master class de 2009 onde a sinopse da trama foi criada. A conferir.


NaTelinha: “Fina Estampa” é a sua terceira novela consecutiva no horário mais nobre da Globo de perfil bem popular, depois de “Duas Caras” e de “Senhora do Destino”. Numa entrevista concedida por você ao NaTelinha, você tinha dito que o realismo fantástico já deu o que tinha que dar. Continua achando a mesma coisa ou, perante tanta novela marcadamente popular e urbana na televisão brasileira, você não acha que uma trama naqueles moldes conseguiria se diferenciar pela positiva? Na sua opinião, por que “Fina Estampa” será bem popular?

Aguinaldo Silva: 
Vamos por partes, como diria Jack o Estripador, já que você faz três perguntas, em vez de apenas uma: tivemos agora duas novelas com os pés plantados no realismo mágico, Ribeirão do Tempo e Cordel Encantado... E nenhuma delas chegou a ser um sucesso em termos de audiência; na minha opinião o que faz uma trama “se diferenciar pela positiva” é a sua qualidade, e não o gênero pelo qual navega; Fina Estampa será uma novela “bem popular” porque será um novelão no estilo clássico, com todos os ingredientes típicos do gênero. Nos últimos tempos as novelas andam meio envergonhadas de ser apenas novelas, tentam ser mais que isso, e acabam não sendo nem uma coisa nem outra. Minha decisão, ao ser escalado para escrever a próxima das 21 horas, foi a de voltar às origens do gênero, que é sempre “popular”.


NT: A ideia da novela saiu de uma master class dada por você, em 2009, a diversos alunos. O que te fez acreditar que a trama tinha forças para ocupar o horário que a partir de 22 de agosto vai ocupar na Globo? Do ponto de vista dramatúrgico, que diferencias apresenta a novela? Foi uma vitória para você e seus alunos verem a trama prestes a estrear?

A.S: 
A ideia não saiu da master class: Fina Estampa era uma história original minha, que eu apresentei durante a master class para ser desenvolvida por mim e pelos alunos. A história daquela mulher que fica viúva e, para criar os filhos, se torna uma espécie de faz-tudo, eu a tirei da vida real, já que a conheci quando morava no bairro carioca de Santa Teresa nos anos 70... E sempre achei que ela tinha elementos suficientemente fortes e populares para resultar numa novela. Claro, a participação dos meus alunos na elaboração da sinopse original (que depois foi bastante modificada) foi remunerada pela Globo, que comprou deles os direitos... E todos nós ficamos muito orgulhosos por causa disso.
Especial "Fina Estampa": O que vale mais? O caráter ou a aparência?


NT: A história de “Fina Estampa” é a mesma que a desenvolvida em 2009 ou você teve de fazer alterações à sinopse inicial? Se sim, o que foi feito?

A.S: 
Como me coube escrever a novela, a partir de 2009, sempre que voltei à sinopse acabei por modificá-la. Afinal, a novela é uma obra viva, que já está em progresso a partir do instante em que a sinopse é aprovada. Quanto à sua segunda (sub) pergunta: o que foi feito em termos de modificações não dá para resumir nos limites de uma entrevista... Mas eu posso lhe dizer que os 35 personagens iniciais se transformaram em 55, o que significa que foram agregadas novas tramas.


NT: O processo judicial de um seus ex-alunos te levou a desistir das master classes. O que realmente aconteceu entre vocês que o levou a tomar essa decisão? Como está o caso atualmente?

A.S:
 Não houve nenhum processo judicial, o aluno apenas apresentou uma queixa à polícia por injúria e difamação, por causa de alguma coisa que escrevi no meu antigo blog, e que não tinha nada a ver com “Fina Estampa”. O caso não foi além da queixa policial: a justiça reconheceu sua impropriedade e, em vez de transformá-la num processo, resolveu arquivá-la.
NT: “Fina Estampa” tem como protagonista uma mulher que se veste de macacão e que desempenha tarefas que habitualmente competem ao homem. Com que tipo de ideias pré-concebidas você pretende acabar? Quer colocar em discussão, uma vez mais, a tradicional igualdade entre os sexos e/ou a discussão em torno de um filho que despreza a mãe por ela ser quem é?

Foto: TV Globo/Renato Rocha Miranda

A.S: 
Três perguntas numa só de novo! Vamos por partes outra vez. Não quero acabar com nenhuma ideia pré-concebida, minha intenção é apenas escrever uma novela. Da mesma forma não quero colocar em discussão, “mais uma vez, a tradicional igualdade entre os sexos”. Quanto ao filho que tem vergonha da mãe por ela ser como é, este é não apenas um dos temas recorrentes do folhetim, como nunca esteve tão na moda na assim chamada vida real. O que tem de adolescente por aí que morre de vergonha do pai, da mãe não está no gibi. Espero que, vendo a novela, eles tomem vergonha na cara e aprendam que pai é pai, seja ele qual for.


NT: Esse desprezo de um filho para a mãe também tem gerado bons pontinhos no Ibope de “Morde e Assopra”. A coincidência entre as duas tramas das duas novelas te provocou um ataque de nervos? A sua relação com o Walcyr Carrasco saiu realmente arranhada desse episódio?

A.S:
 Minha sinopse foi registrada na Biblioteca Nacional, entregue à Globo, e imediatamente aprovada por esta, em maio de 2009. De lá pra cá, estive muitas vezes com o Walcyr, sempre diante de testemunhas; e nessas ocasiões falamos sobre nossas histórias, sem que ele mencionasse uma só vez que minha trama principal surgiria como trama secundária em sua novela. Eu só soube dessa coincidência quando ele me ligou muito aflito pouco antes da estreia de “Morde Assopra”, já que a Globo registrara as coincidências, reconhecera a minha primazia - por ter entregue a sinopse primeiro - e pedira a ele que desse um jeito de afastar sua trama da minha. Ele me pediu um encontro, e fizemos isso durante um jantar – de novo – com testemunhas. Ele seguiria para um lado, eu para o outro, e assim as duas novelas poderiam conviver sem maiores traumas. Foi o que aconteceu, sem que ninguém tivesse o que você chama de “ataque de nervos” ou alguma relação saísse “realmente arranhada”.


NT: A Griselda Pereira, protagonista da sua novela, vai ser vivida pela Lília Cabral. Você não acha que os novelistas brasileiros, tendo em conta a grande carreira dela, já lhe estavam devendo uma protagonista? Por que você a decidiu chamar para esse papel? 

A.S: 
Porque ela é uma grande atriz, que começou na televisão fazendo com muito amor e grande competência personagens populares, mas depois, meio que se especializou, por conta das personagens que lhe davam, na criação de mulheres mais sofisticadas. Eu queria ver Lília Cabral “popular” de novo, e como protagonista absoluta, fazendo uma personagem pela qual todos se apaixonassem, por isso decidi chamá-la.
NT: E como está sendo contar com o Dalton Vigh como protagonista e com a Christianne Torloni como vilã? Com essa nova vilã, você vai acabar com as saudades que os telespectadores têm da Sílvia e da Nazaré e fazê-los vibrar com a Tereza?

Divulgação/TV Globo

A.S:
 Dalton já foi protagonista de Duas Caras com grande eficiência e eu tenho a absoluta confiança no que ele fez. Quanto a Christiane, é uma força da natureza. Trabalhar com ela é um privilégio, ainda mais quando se sabe que ela fará uma vilã empedernida. Minha intenção é essa, fazer o telespectador vibrar com as vilanias de Tereza Cristina.


NT: Você batalhou para ter a Carolina Dieckmann na sua novela. Acha que o público cansou dela? Que papel reservou para a Carol?

A.S: 
Se o público “cansar” de uma grande atriz como Carolina Dieckman, que já fez coisas inesquecíveis e ainda não chegou ao ponto máximo de sua carreira, então alguma coisa estará errada com o público. Acho que você escreveu “público”, mas seria mais apropriado dizer que quem “cansou” dela foi uma parte da mídia na qual aquele programa chamado “Pânico” pontifica. Eu reservei pra ela uma personagem que, na primeira parte da novela, fará o público – aí sim – odiá-la... E então, na segunda parte da novela, ela passará por uma transformação que levará o público primeiro desconfiar que, bem, afinal de contas, talvez ela esteja certa... E no final todos irão amá-la! É uma personagem difícil, cheia de nuances, digna de uma atriz do porte de Carolina Dieckman.


NT: Ao longo da escalação do elenco de “Fina Estampa”, vários atores como Fiuk e Márcio Garcia, só para citar alguns, saíram de cena e outros, como Malvino Salvador, estiveram a ponto de sair. Dizem que você, em dada hora, quis bater com a porta e abandonar o barco. Está sendo difícil cada vez mais montar os elencaços de antigamente? De que modo mexeram esses episódios com você?

A.S:
 “Dizem que você, em cada hora, quis bater com a porta e abandonar o barco”? Eu lhe pergunto: quem, quando, onde, como e por quê? São as perguntas básicas que um jornalista deve responder quando aborda um assunto, então responda: quem disse que eu quis bater a porta e abandonar o barco? Quando se disse tamanha bobagem? Onde se disse? Como, ou seja, em que circunstâncias? E por que alguém o disse se não era verdade, e sua declaração não poderia ser comprovada? No mais, Fina Estampa tem sim o que você chama de “elencaço de antigamente”. Ou você está desdenhando dessa verdadeira constelação que eu e o Wolf Maya reunimos?
Nota da redação: A informação de abandonar o barco foi dada pelo colunista Flávio Ricco, em sua coluna do dia 28 de abril.


NT: O Marcelo Serrado vai interpretar um gay repleto de tiques afeminados na sua novela. Você acha que as investidas dos autores nessa temática da homossexualidade, tendo em conta a auto-censura que as emissoras têm feito a seus produtos e a polêmica em torno do beijo gay, não estão tornando o tema uma valente “forçação de barra”?

O mordomo gay Crô (Marcelo Serrado)
Foto: Divulgação/TV Globo

A.S: 
O que você chama de “tiques afeminados” eu prefiro chamar de “atitude”. O que você acha que são “investidas dos autores nessa temática da homossexualidade” eu prefiro ver como a tentativa de agregar ao público da telenovela – que se conta em milhões – mais uma faixa de interessados – os homossexuais. Portanto, isso não tem nada ver com o que você classifica como “valente forçação de barra”, mas sim com a conquista de mercados. Os gays existem e consomem, e um possível interesse deles pelos produtos dos que patrocinam a novela será muito bem vindo por estes.


NT: Uma vez mais você repete a parceria com Wolf Maya. Mas, agora, surgiram boatos de que se zangaram. Deixou de haver liga?

A.S:
 Boatos são boatos meu caro. Quando publicados na mídia, o mínimo que se espera dos que os publicam é que tratem de confirmá-los. Nunca houve a menor zanga entre Wolf e eu, pelo contrário, sairemos desse trabalho ainda mais unidos e prontos para muitos outros (temos mil planos!). Quanto ao que você mesmo chama de “boatos” seria um bom exercício jornalístico saber de onde eles saíram e o que pretendiam os que os semearam.


NT: Porque o nome “Fina Estampa”?

A.S: 
Eu poderia lhe dar mil explicações, mas acho que nenhuma seria tão boa quanto essa: porque eu quero, ô caraças.


NT: Tendo em conta a boa fase que as novelas da Globo atravessam no momento, que expectativas você tem para a sua nova história? Você já disse que gostava de estrear em agosto…

A.S: 
A essa altura da minha vida eu só tenho uma expectativa, que é a de fazer o melhor possível o meu trabalho, e assim justificar o pagamento do meu salário. Quanto a estrear no mês de agosto, achei ótimo, porque isso me permitirá fazer uma novela “de verão”, mais solar, com um astral mais radioso... E com muitos eventos na praia.


NT: Como você descreveria “Fina Estampa” para os leitores do NaTelinha?

A.S:
 Como a novela que vai ao ar depois da novela de Gilberto Braga e antes da novela de João Emanoel Carneiro... Porque a fila anda, meus caros!

Natelinha

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